As Percepções de 6 Bilhões de Outros

Grassmann – Sem título

Domingo passado em São Paulo visitando a feira de antiguidades resolvemos visitar o MASP. Vivi 3 momentos interessantes que acabaram sendo no mínimo esclarecedores sobre o gosto pela arte. O MASP em seus andares de exposições está com 5 exposições que eu divido em 3 em função do suporte utilizado pelas obras: gravura em papel, óleo sobre tela e suporte tecnológico (arte e tecnologia). A primeira exposição que visitei foi a coleção MASP de papeis brasileiras, gravura de 1910 a 2008. Amei, amei. Adoro gravuras, sou colecionador e vi ali grandes artistas que admiro. O suporte papel me encanta pela possibilidade de termos em casa obras de grandes artistas. As diversas formas de utilização dos papeis, suas texturas, cores e formas são muito inspiradoras. Gosto do desafio da gravura, poucos recursos para termos ganho de escala e visibilidade. A gravura em papel foi idealizada como uma fronteira mais democrática, pensava-se na arte para muitos. É um universo muito familiar para mim. Ali me deliciei com obras que não conhecia, por exemplo, não sabia que Rebolo era gravurista, para mim seu suporte era exclusivamente óleo sobre tela. Naquela exposição de gravuras realmente me senti em casa.

Moema, 1866 Victor Meireles (Brasil, SC 1832- RJ 1903)

O segundo momento agora com obras com suporte óleo sobre tela e num outro andar do edifício de Niemeyer veio o contentamento de ver os grandes clássicos das três exposições do acervo do MASP que são: Olhar e ser visto – Retratos e auto-retratos; Romantismo: A arte do entusiasmo e Deuses e Madonas – A Arte do Sagrado. Importante, educativo, elucidativo para no fundo para mim tive um contentamento conhecido, previsto, protocolar, por incrível que pareça.

O terceiro momento e o mais avassalador aconteceu com uma exposição que usa recursos multimídia com um olhar absolutamente humano. Trata-se da exposição “6 Bilhões de Outros” de Yann Arthus-Bertrand e sua Fundação GoodPlanet nos proporciona o deleite de ver e refletir de maneira instantânea o sentimento do outro. Acredito nisso: tecnologia à serviço do homem, de suas causas, de suas dores, de suas crenças, de sua arte,de seu ética e de seus sentimentos. Um trabalho incrível e muito, muito interessante. Trata-se de uma seleção com cerca de 11 horas de depoimentos em vídeos que podem ser vistos em diferentes ambientes do MASP. No Mezanino, projeções de rostos compõem um painel de múltiplas identidades e podemos assistir ao filme Mosaico, marca do projeto que através de uma grande projeção em quatro paredes põe em evidência uma alternância de retratos e depoimentos sobre as experiências e visões de mundo de cada um. Esta sala simplesmente é emocionante, principalmente os depoimentos. Incrível cada rosto de inúmeras etnias falando o que realmente importa. Esta exposição é de fazer chorar. Fiquei passado e ainda estou quando me lembro. Recomendo muito.
O projeto de Yann Arthus-Bertrand e sua Fundação GoodPlanet tem apoio do BNP Paribas desde seu início e foi realizado no Brasil pela Performas Produções.

A exposição 6 bilhões de Outros, em números:

3,5 milhões já viram a exposição desde janeiro de 2009
5.600 entrevistados
78 países visitados
5 anos de filmagem
40 mesmas questões postuladas a cada um dos entrevistados
15 questões suplementares sobre a problemática da mudança climática
50 línguas (sem contar os dialetos)
11 horas de testemunhos no MASP
500 testemunhos no catálogo da exposição
150 programas curtos de televisão, de 2 minutos cada, difundidos em mais de 20 países
13 documentários temáticos em difusão televisiva em uma centena de países

Mais informações no site www.6bilhoesdeoutros.org

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A ginga e a malícia do samba de Adriana Calcanhoto

O disco de Adriana Calcanhotto “O micróbio do samba” é simplesmente maravilhoso. Adriana se mostra uma artista madura cheia de ginga. No novo CD apresenta um repertório recheado de novas canções de própria autoria. Ao longo do disco somos agraciados com ritmos brasileiros variados que vão do samba-canção, samba de roda, marchinhas, e outros tantos ritmos brasileiros. As letras fazem a grande diferença, composições requintadas e ao mesmo tempo cheias de malícia. Uma verdadeira delícia de trabalho. Acompanhada por Domenico Lancellotti na percussão e bateria e Alberto Continentino no contrabaixo, o disco tem uma sonoridade moderna revelando o samba em uma roupagem contemporânea jamais ouvida e apreciada.

São doze músicas de autoria da própria Calcanhotto, com excessão da faixa Vem ver que é uma parceira com Dadi. São elas: Eu vivo a sorrir; Aquele plano para me esquecer; Pode se remoer; Mais perfumado; Beijo sem; Já reparo; Vai saber?; Vem ver; Tão chic; Deixa,queixa; Você disse não lembrar; Tá na minha hora.

Fico emocionado pensando como somos agraciados com a excelência da qualidade do trabalho dos artistas brasileiros que fazem a nossa música popular. Adriana Calcanhotto é sem dúvida um grande destaque nesta constelação de estrelas que nos encantam com suas criações a cada trabalho lançado. Estou em estado de graça com este disco. Recomendo. Salve Adriana Calcanhotto !!

Ficha Técnica do Disco

produzido por Daniel carvalho

gravado e mixado por Daniel Carvalho nos estúdios Lobo Mao e Monoaural, Rio de Janeiro, na primavera/verão 2010/2011

assistentes Nicolau Villa-Lobos, Pedro Tambellini e Lucas Sarmento

masterizado por Takayoshi Manabe no Crown Mastering Studio, Tokyo

produção executiva Hiromi Konishi

arte Luiz Zerbini / Fernanda Villa-Lobos

Fotos Caroline Bittencourt

Para saber mais visite o site: http://www.adrianacalcanhotto.com

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Seu Jorge e Almaz

Noite agitada na Lapa do Rio de Janeiro no último sábado (26/03). O Show aconteceu no Circo Voador. Seu Jorge e Almaz deram o recado. Casa lotada, gente bonita para ouvir o novo trabalho. Seu Jorge, eu demorei a sacar. Eu não conseguia definir qual era a dele. Primeiro, aquela parada com a Ana Carolina. Legal mas não me liguei. Depois, o pop do pop: burguesinha, vizinha e tal. Gostava de dançar, mas não tive o disco, não fiquei afim, acabava não me identificando. Gostei do trabalho de ator no filme Casa de Areia.


Agora! Tudo o que Seu Jorge fez antes do trabalho atual não se compara em qualidade com o que produziu até então. É evidente a ampliação sensória que esse disco propõe. A linguagem utilizada e os recursos de áudio são belos em canções antigas da melhor música popular brasileira. O Show confirmou minhas expectativas, Seu Jorge funciona muito no palco, sabe utilizar a sensualidade. É bonito cantando. Magro e alto, negão total tesão. Mas o disco novo me surpreendeu principalmente pela escolha do repertório, pelos solos e arranjos malucos virtuosos magníficos. O disco é dançante e viajante ao mesmo tempo. Massa!

Para conferir curta o vídeo abaixo ou acesse o site: www.seujorge.com

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Banda do DF reinterpreta o Haiti

No carro indo pro trabalho esta semana ouvi uma versão grungerock da música Haiti de Caetano e Gil. Fiquei muito impressionado com a qualidade da interpretação. Tive outro olhar sobre a bela música dos bahianos. Ao ouvi-la outras imagens mais reais e atuais vieram a mente. Em casa ouvindo o disco dos 25 anos da dupla me lembrei da música no carro e fui imediatamente procurar no Google. Tive muita dificuldade de encontrar a canção pois, o localizador devolvia sempre canções feitas para o Haiti, sobre a catástrofe e sempre Caetano e Gil e nenhuma menção a nova versão da música. Como assim? Não tem na internet? Ninguém falou ou comentou nada sobre essa novidade? Impossível ! É tudo. Muito, muito legal. A clareza e a denúncia expressas nas letras de Caetano Veloso e Gilberto Gil ganham uma roupagem atual de grande expressividade. Mas a minha grande surpresa mesmo foi que depois de muita pesquisa encontrei no site da TramaVirtual a ótima versão cuja execução se deve a banda Trampa de Brasília, Distrito Federal.
Ouçam as nuances e ironias da versão e a oportuna levada rap no parte dos 111 presos no site: www.myspace.com/bandatrampa 

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Tulipa Da Maior Importância

Quem me apresentou foi o Tom meu amigo do Jardim Botânico de Brasília. Comprei o CD e ficou assim como um hit do meu namoro. É legal quando o romance tem uma trilha sonora. E a Tulipa canta canções bem humoradas e ao mesmo tempo muito apaixonadas. Gosto da sinceridade expressa nas suas canções. Ela tem um jeito que sintetiza muito sua geração. Percebe-se um deboche inteligente expresso em seu trabalho. Assim foi acontecendo, ela veio chegando se mostrando. Da participação na Banda Dona Zica ao CD solo, muito estudo e dedicação pode ser percebido juntamente com o talento inegável da novata. As referências claras da admiração por Caetano são evidentes nos arranjos do disco.

Mas no show em Brasília no sábado passado tudo se esclareceu, sobretudo quando ela interpretou a antiga canção “Da Maior Importância”, música da Caetano Veloso que a Gal Costa canta no disco “Índia”. Tulipa simplesmente arrasa nesta canção. Ela conseguiu cantar atualizando inúmeras referências que essa composição genial nos trás. Parabéns para ela e alegria nossa termos mais uma cantora talentosa na MPB. Vejamos um video da Gal interpretanto “Da Maior Importância” com letra da música do Caetano logo abaixo:

Da Maior Importância

Foi um pequeno momento, um jeito
Uma coisa assim
Era um movimento que aí você não pôde mais
Gostar de mim direito
Teria sido na praia, medo
Vai ser um erro, uma palavra
A palavra errada
Nada, nada
Basta quase nada
E eu já quase não gosto
E já nem gosto do modo que de repente
Você foi olhada por nós
Porque eu sou tímido e teve um negócio
De você perguntar o meu signo quando não havia
Signo nenhum
Escorpião, sagitário, não sei que lá
Ficou um papo de otário, um papo
Ia sendo bom
É tão difícil, tão simples
Difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa tão grande
Da maior importância
Deve haver uma transa qualquer
Pra você e pra mim
Entre nós
E você jogando fora, agora
Vá embora, vá!
Há de haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem
Para uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc. e tal
E assim como existe disco voador
E o escuro do futuro
Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor
Mas você não teve pique e agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Você não teve pique
E agora não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Mas você
Não teve pique
E agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique

Para saber mais sobre Tulipa Ruiz acesse o site: www.myspace.com/tuliparuiz

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“Feito Pra Acabar” de Marcelo Jeneci

Fim de ano. Melancolia chuvosa iluminado por uma lua minguante à espera de alguém que foi ali e já volta buscar sentido em suas raízes. Neste clima sorumbático tive a grata surpresa de conhecer o CD de Marcelo Jeneci – Feito pra Acabar. Romântico, hippie, moderno, indie, talento revelado em canções fruto de parcerias com compositores do calibre de: Arnaldo Antunes, Chico Cesar, Luiz Tatit, Carlos Rennó e Zé Miguel Wisnik.
Dividindo os vocais, o trabalho de Jeneci contou com a bela voz de Laura Lavieri. Hora nos violões, hora nas guitarras o CD conta com o veterano virtuoso Edgard Scandurra e com o novo talento de Estevam Sinkovitz. Arranjos especiais numa produção assinada por kassim.

Muita paz e muito amor. Manifesto de uma geração pacífica e despretenciosa. Contrariando lemas caretas nos alerta que menos pode ser melhor. Estética que preza pelo simples, pelo cotidiano que nos acolhe e pela consciência de que precisamos uns dos outros. Vencer não é o objetivo, mas sim amar e viver. O novo que subverte, transgride pela doçura de belas canções que nos fazem chorar e evocam em nós a natureza bela da existência. O modo utilizado parece banal, por evitar construções complexas e sofisticadas demais, mas se revelam geniais por mostrarem o óbvio que merece ser lembrado.


Jeneci representa uma juventude tranqüila que só quer trabalhar em paz e mandar recados que precisamos ouvir. Mais um nome desta geração que se sustenta em argumentos musicais simples, harmonias pop com toque romântico de beleza renovada, que nos fazem levitar e acreditar que amar e viver sempre valerá a pena. Nesta constelação de novas estrelas apontamos ainda: Tiê; Little Joy; Tulipa Ruiz; Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante.
Para saber mais sobre Marcelo Jeneci visite o site: www.marcelojeneci.com.br

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Chico Cesar no Alto Paraíso

A apresentação de Chico Cesar ontem em Alto Paraíso foi inusitada e muito legal. Integrando a agenda comemorativa dos 57 anos da cidade, o evento foi marcado pelo talento e irreverência do paraibano de Catolé do Rocha. Nas 3 horas de duração do show o cantor teve a oportunidade de mostrar diversas facetas do seu repertório cheio de grandes sucessos e pérolas do cancioneiro da MPB de qualidade. Do frevo à ciranda, passando pelo xote, xaxado, forró, reggae e samba canção, Chico mostrou toda a sua versatilidade e contagiou o pequeno público que teve o privilégio de assistir a um show VIP na Praça do Bambo.

Chico, que teve sua carreira iniciada nos anos 90, representa uma geração de compositores que afirma a influência tropicalista em seu trabalho e inclui referências a luta pela diversidade cultural e étnica. Sua imagem e performance em cena são marcantes. Muito à vontade no palco, interagiu bastante com o público buscando trazer questionamentos sobre comportamento e política.

O CD, intitulado “Francisco, Forró e Frevo”, expressa a contagiante fase de Chico Cesar que não se cansa de afirmar e tocar o povo brasileiro com sua música, referência importante para a cultura popular. As faixas: “Feriado”, “ A marcha da calcinha e marcha da cueca” e “Pelado” são impagáveis. Bom humor, ironia e muita animação foram os ingredientes da receita desse feliz retorno ao CD. O grande cantor e compositor da MPB representa como ninguém a originalidade inteligente e instigante do povo brasileiro.

Parabéns Chico e parabéns Alto Paraíso pela bela festa de aniversário.

Para saber mais sobre o trabalho de Chico Cesar acesso o site: www2.uol.com.br/chicocesar/

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Amor? de João Jardim

A emoção é muito forte. O filme trata da violência nos relacionamentos. Um tema sério. Mas o modo como o diretor João Jardim aborda a problemática é genial. Como o próprio João diz: “Tudo é encenado, menos o texto”. Interpretações incríveis de grandes atrizes e atores como: Lilia Cabral, Julia Lemmertz, Letícia Colin, Mariana Lima, Ângelo Antônio e Eduardo Moscovis.

São oito histórias que escancaram o tema da violência nos relacionamentos e na família. O filme levanta questões sobre a natureza humana, ou melhor, a violenta natureza humana, ou ainda, a natural violência humana. Depois daqueles depoimentos, ficam as sensações, a angústia e a clareza de que nós somos muito mais frutos da natureza selvagem do que pensamos ser. Dependendo da situação e do drama, vale tudo. Tudo pode ser vivido. Os vícios são muitos: mulheres, cocaína, álcool e homens. Os medos e as fobias também. Principalmente o medo de ficar só. O medo de perder o amor, mesmo que seja à base de porrada. Será que vale tudo manter um relacionamento amoroso? Será que é melhor levar porrada do que ficar só?

O filme trata o tema de modo brilhante e ilumina aspectos pouco explorados. Um deles fica evidente. As mulheres nem sempre são vítimas dos homens. Existe um ciclo vicioso que promove a manutenção dos relacionamentos com ingredientes de violência. A violência sofrida por pais e mães e presenciadas por filhos possibilita a reedição de comportamentos violentos pelos filhos. A cocaína aparece como elemento indutor de violência nos relacionamentos contemporâneos.

Impossível não se identificar com as falas do filme. Belo e importante filme brasileiro.

Para saber mais sobre o filme, visite o blog: amorofilme.com.br/blog/?tag=joao-jardim

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Recital de Mônica Salmaso

Sou fã ha muito tempo da Mônica. Todos os meus amigos sabem disso. Conheci sua voz afinadíssima ouvindo a série “Palavra Cantada” nas faixas em que participava. Não esqueço “Tudo, Tudo ,Tudo” de Caetano Veloso cuja versão foi gravada no disco “Canções de Ninar”, primeiro cd da série infantil. Desde então acompanho sua carreira, ouvindo tudo que grava , garimpando todas as participações em CDs de outros artistas.

Mônica é uma cantora muito requisitada por músicos pela sua afinação e competência na interpretação das canções. Tem um repertório clássico repleto de preciosidades da música popular brasileira.

Assisti  neste final de semana em Brasília ao show em que Mônica se apresenta acompanhada pelo pianista André Mehmari.  Foi maravilhoso, um recital impecável, no qual nos presenteia com pérolas da música brasileira, em arranjos e leituras de requinte raro nos dias de hoje.

A obra de Mônica Salmaso resgata o cancioneiro da cultura popular, propondo releituras ancoradas em arranjos clássicos que possibilitam que o ouvinte tenha acesso à riqueza das composições, muitas delas de domínio público, que estão dentre os grandes feitos da música brasileira. Seu repertório não faz concessão e participam dele grandes nomes como: Dorival Caymmi,Ary Barroso, Chico Buarque de Holanda, Luis Tatit, Zé Miguel Wisnik e Paulo Cesar Pinheiro. Seu relevante trabalho de pesquisa é mais um dos méritos dessa jovem e talentosa diva.

Para saber mais visite o site www.monicasalmaso.mus.br/

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Sonata de Nana Caymmi


O lugar é o Largo de São Sebastião em Manaus e o evento é o quinto dia do Amazonas Film Festival.  Muita emoção na exibição do magistral “Rio Sonata” de Georges Gachot numa produção franco-suiça. Noite bela, ao fundo o exuberante Teatro Amazonas, neste ambiente quente e acolhedor, assistimos a biografia de Nana Caymmi e ouvimos a voz de uma diva. Cantora carioca que não faz concessão quando o assunto é música. Depoimentos, imagens de arquivo, imagens da arte do cineasta francês. Um luxo, ouvir o repertório de Nana. Há muito venho pensando nela e estava mesmo sentido saudades. Mas voltou tudo. Sou um ser apaixonado e seres apaixonados não dispensam as canções selecionadas nas dezenas de discos de Nana. Tenho todos. Não tem uma música bola fora. Uma sequer que possamos dizer essa não. Uma música sequer que tenhamos o ímpeto de pulamos ao ouvir o disco de agora ou o de 30 anos atrás. Tudo está dentro. Todas tocam a alma. Todas possuem verdade. Todas falam da vida aqui neste mundo doido. Todas nos acalantam. Todas fazem chorar não de tristeza, mas de beleza.  Sim, chorar de beleza. No rico repertório tudo é escolhido pelo crivo do ouvido absoluto da grande dama da música popular brasileira. Uma mulher que vive no Rio e sofre pelo Rio.

O filme tem o Rio de Janeiro como cenário. Um cenário chuvoso, belo, triste e pobre. Apesar de tudo de bom e de mal no Brasil, nos valemos de termos uma artista da envergadura de Nana Caymmi e o relevante filme sobre sua vida e arte faz jus ao seu talento.

Para saber mais visite o site www.gachot.ch/gachot_riosonata.html

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