A Música e o Grupo Corpo

Assistindo ao novo trabalho do Grupo Corpo  “Sem Mim” vivi uma experiência sensória que me fez lembrar outros trabalhos do Grupo. O balé de Belo Horizonte sempre me emociona, pois lá vão mais de trinta anos acompanhando as coreografias da companhia de dança contemporânea mais conhecida do Brasil. Com trajetória invejável e nome consagrado em diversos países do mundo suas coreografias sempre foram embaladas com música de primeiríssima qualidade. Tanto que não é incomum ter dentre seus admiradores um público que assiste às suas apresentações  principalmente pela música que será ouvida, pois sabem que serão agraciados com pérolas da música popular brasileira. Desde os dois primeiros trabalhos do grupo, “ Maria Maria”  e ”O Último Trem”, cujas trilhas foram compostas por Mílton Nascimento para o balé,  esse aspecto extremamente relevante se manteve presente e todas as montagens da companhia mineira ao longo de toda a sua trajetória. A música original sempre foi uma marca de qualidade do grupo tanto é assim, que seus  cd’s são disputados em todas as apresentações.

Como não poderia deixar de ser, o novo espetáculo “Sem Fim” teve a impressionante trilha sonora composta por Carlos Nuñez e José Miguel Wisnik sobre canções de Martin Codax. Segundo Wisnik no libreto do disco:

“As sete canções de Martin Codax datam do século XVIII, e fazem parte do conjunto das “cantigas de amigo” do cancioneiro galego português. A tradição trovadoresca veio da Provença e chegou à Galícia através de um dos quatro caminhos de Santiago de Compostela, aquele que partia do sul da França. O gênero consolidou-se de tal forma na região da Galícia e atual norte de Portugal , com papel importante para a cidade marítima de Vigo, que o galego português passou a ser praticado na península ibérica como a língua preferencial da poesia.”

Wisnik que já havia participado da trilha sonora de outras montagens do Corpo, apresenta uma trilha sonora que conta com as vozes de Milton Nascimento, Jussara Silveira, Ná Ozzetti , Rita Ribeiro e Chico Buarque dentre outros. Vejam um trecho do espetáculo e ouçam a belíssima “Cantiga VI – Sem Mim” na voz de Mônica Salmaso.

Para maiores informações acessem o site: http://www.grupocorpo.com.br/

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Gal no Miranda

Estamos em abril, passados três meses do lançamento do CD Recanto, volto a escrever depois de um início de ano agitado de novidades e produções. Feliz em 2012 pelo começo de outra vida, mais intensa de novos desafios que incluem a arte e a convivência inusitada com artistas conhecidos e admirados por mim.

Volto ao blog, não por não gostar de escrever aqui. Mas pela imposição de ser intenso em outros lugares. Aqui muito do novo em mim surgiu. Começou por aqui. Sinto a necessidade de expansão maior, mais comprometida, mais responsável. Conviver com artistas é um desafio novo, mas que não me afasta dos meus objetivos.

Senti sempre como se fosse um karma estar entre meus amigos artistas. Sempre temi este momento, por admiração, desejo ou simplesmente por um enorme medo de me revelar.  Não tenho mais escolha quanto ao meu enlace com a arte. Serei tolo, se não me jogar nesta onda. Se existe karma existe junto o darma e o prazer de viver o que é de minha natureza.  Como bem diz a Marisa Monte numa canção: “Deixa sua natureza se manifestar”. Cantava essa canção nas aulas de canto do mestre Flavio Moraes. Mas como é difícil deixar a nossa natureza se manifestar. Grato pelo toque da música, grato pela quebra de chakras com as aulas de piano e canto. Sinto-me grato a Deus pela vida que me chega e que se revela muito mas intensa, muito mais possível de realizações ontem inimagináveis. Quero existir e atuar pela simples razão de que agora tudo tem muito mais sentido e beleza.

Esse tempo de encantamento se revelou quanto vi na fronte de Gal Costa naquele bar da Lagoa pequeno e charmoso chamado Miranda, em homenagem a nossa Carmem, vi a face da beleza venusiana: clara, harmônica resurgida da espuma do mar, como no Nascimento de Vênus, mas com um atributo essencial, libriana renascida com um canto ainda mais belo, nos fazendo lembrar de momentos intensos vividos ao longo dos  últimos 40 anos, marcados pela presença incrível da voz bela de uma cantora brasileira.

Sem mais vejam um pouco desse show memorável:

Para maiores informações visite o site: http://www.galcosta.com.br/

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O Recanto de Gal Costa

Janeiro, passadas as festas de fim de ano ainda carrego os cheiros dos incensos e cigarros, os gostos gostosos das comidas, o som e as imagens que nos comoveram. Começo com o disco da Gal – Recanto. Uma parceria com Caetano Veloso, Kassin e Moreno. Um disco eletrônico com a voz maravilhosa de Gal Costa. O CD surpreende pela modernidade, pela beleza da voz da diva da tropicália e principalemente pelas belas composições de Caetano.

O retorno de Gal aconteceu de maneira elegante e impressionantemente atual. Tem até funk. A faixa que mais gosto é um rock massa chamado ”Cara do Mundo”. Adoro, mas a galera levanta mesmo na faixa “Miami Maculelê”. Pra namorar vamos de “Mansidão”, canção que foi gravada originalmente pela Jane Duboc na década de 80. O disco da Gal foi o ponto alto do meu reveillon em casa.

Para saber mais acesse: www.galcosta.com.br/

 

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O SacerdÓCIO de Zé Celso


A sabedoria do grande artista do teatro brasileiro nos chega por meio da ênfase eloqüente e dionisíaca que afirma conceitos simples e necessários hoje em dia como: o afeto, o amor e a vida. Evoé Retrato de Um Antropófago, nome do filme de Tadeu Jungle/Elaine Cezar sobre Zé Celso Martinez Correa.
A filosofia da vida, os principais projetos e as provocações sedutoras do Zé estruturam o roteiro do documentário. Nele o impressionante performer atua nos seduzindo a prestar muita atenção na lucidez de suas palavras. O diretor de teatro nos emociona pela clareza e obviedade de suas afirmações que também nos atualizam dos seus novos planos que incluem a Universidade Antropófaga , projeto premiado na Quadrienal de Praga este ano.

Incrível a constatação de que tudo que Zé Celso milita hoje pelo teatro e pelo Bixiga são bandeiras defendidas pelo artista desde sempre, desde o início da década de 80, quando retornou ao Brasil depois de longo período de exílio durante a ditadura militar. O documentário tem a virtude de dar-nos a noção clara dos principais temas que delineiam a atuação do mestre do teatro, que sempre afirmou a inspiração maior que vem do pensamento de Oswald de Andrade.
Que bom para nós brasileiros podermos contar nos dias de hoje ali, em São Paulo, no bairro do Bixiga, no Teatro Oficina, com a presença de um homem idealista como ele, nosso admirável sacerdote. Evoé! Zé Celso Martinez Correa!

Para saber mais visite o site: http://teatroficina.uol.com.br/

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Arte na Rua e na Câmara Ligada


A gravação foi no dia 18 de novembro e a estréia será no dia 03 de dezembro. O programa é o Câmara Ligada da TV-Câmara e o tema: Arte na Rua.
Surpreendente a participação da Dra. Bia Medeiros no programa. Ela foi convidada pela relevante pesquisa em arte e tecnologia que realiza junto ao Grupo Corpos Informáticos que faz composição urbana. Juntamente com Bia estavam presentes: a Deputada Federal Jandira Fegali pelo Estado do Rio de Janeiro; o diretor de teatro Francis Wilker do Grupo Concreto de Brasília e a talentosa cantora paulistana Tulipa Ruiz. O programa contou também com a participação do Grupo Andaime de Brasília sob a direção de Márcio Menezes.
O programação da gravação no estúdio da TV-Câmara ocorreu num clima de altíssimo astral e abordou as diversas formas de expressão artística que tomam as ruas para mostrar trabalhos que dialogam com as cidades. O programa Câmara Ligada vem a cada edição se firmando como uma das atrações mais expressivas da programação da TV-Câmara com uma linguagem diferenciada com foco nos adolescentes e jovens tem crescido em profissionalismo orientados pela busca pela temática de interesse de um público que não é fácil de agradar.

Destaque para a competente atuação da apresentadora e idealizadora Evelin Maciel que orquestra o Câmara Ligada juntamente com sua equipe de produção sempre atenta às discussões da Casa Legislativa e os principais temas relativos aos interesses da juventude brasileira.
A Juventude é uma prioridade muitas vezes esquecida pela mídia convencional. Parabéns a todos do Programa Câmara Ligada pela iniciativa rara no âmbito da TV pública brasileira.

Para saber mais acesse os links:
Câmara Ligada: http://www.camaraligada.com.br/
Corpos Informáticos: http://corpos.blogspot.com/

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O Ouro do Rock

O Filme Rock Brasília – Era de Ouro, novo filme do tradicionalíssimo documentarista Vladimir Carvalho, supera todas as expectativas. Documentário sensível, que faz jus à história de quem viveu, amou e sofreu em Brasília. O filme aborda os principais fatos do Rock brasiliense pela trajetória das bandas Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial. Vladimir foi muito feliz fazendo seus os olhos dos pais dos principais integrantes das bandas. Assim, temos a oportunidade de ver além, de ver o que ocorreu pelo olhar daqueles que de perto sentiam e acompanhavam os avanços dos filhos protagonistas daqueles tempos difíceis.
Depois da estréia na abertura do Festival de Brasília edição 2011, passei alguns dias muito tocado com as lembranças do percurso, com as lembranças da vida na Capital naqueles tempos da inflação que tirava o sonho dos jovens e o sono dos pais. O documentário é o filme sobre nós de Brasília, sobre toda uma geração de talentos antenados com as tendências internacionais da época. Na obra de Vladimir sobra emoção, sobra orgulho, sobra saudade, sobra exemplo de perseverança, de vontade de fazer e da necessidade de se expressar.
Só vendo. Parabéns Vladimir Carvalho pela sua obra-prima.


E falando de Renato Russo, estou com uma idéia fixa, música fixa, que não sai da minha cabeça estes dias e quero dividir com todos os leitores. O texto abaixo foi extraído do Novo Testamento, 1 Coríntios 13, e que Renato musicou em Monte Castelo.
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência , e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e náo tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade; não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta;
O amor nunca falha; mas havendo profesias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. ”

Para saber mais acesse o site: http://www.rockbrasilia.net

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Cena Contemporânea contra a seca de Brasília


Setembro começou com uma seca de lascar. Desejamos muito que chova logo, nós de Brasília. Mas setembro tem sido também o mês do Festival Cena Contemporânea. Este ano assisti a dois espetáculos apenas: Ivan e os Cachorros que conta com a direção de Fernando Villar (DF) e com o talentoso ator Eduardo Mossrim (SP). O outro espetáculo de teatro que assisti e que me impressionou muito foi a apresentação da Companhia Clowns de Shakespeare com a peça “Sua Incelença Ricardo III” que abriu com chave de ouro o Festival.
Na programação de shows da Praça do Museu da República, o show de abertura com Rita Ribeiro foi muito astral. Rita continua muito atual e seu trabalho agrada ao público de teatro. Surpresa para todos nós ocorreu no show de Célia Porto e Rênio Quintas. Os solos de piano de Rênio na abertura do show foram incríveis. Jazz da melhor qualidade. E a Célia deu seu recado nos agraciando com um repertório repleto de canções de amigos de Brasília, delícia de noite. Lembro que Rênio tem aparecido muito com sua atuação em defesa do parque Olhos dágua. E a Célia vem de dois anos de sucesso com a produção do show em homenagem ao saudoso Michael Jackson. Mas o show de encerramento do Festival com a diva Maria João de Portugal foi, como sempre, o ponto alto e o momento de encerramento do Festival Cena Contemporânea, edição 2011.

Se por dificuldade de agenda fomos ausentes nos teatros, compensamos com nossa freqüência assídua nos eventos que aconteceram no ponto de encontro no Museu da República. Prestigiamos até o final a programação das festas com DJs escolhidos a dedo, tais como: Criolina, Noções Unidas e Dj A de Brasília, Chico Correa da Paraíba, e principalmente Alfredo Bello, o Dj Tudo, que arrasou fazendo da noite de sexta dia 02 um momento de saudação e de clamor por chuva quando nos levou ao êxtase com a canção de Gero Camilo “ Vai Desabar Água”.

Era tarde e um vento forte soprou frio e úmido. Úmido isso mesmo, mas não encontrei muita gente que sentiu o que senti. Não sei se estava muito doido ou se realmente o Festival estava buscando melhorar nosso astral tentando nos trazer , além da enxurrada de talentos do Brasil e do mundo também, chuva. Se os índios Pele Vermelha fazem chover com dança, só faltou a chuva nos 13 dias especiais de muita dança ao ar livre, teatro e música. Salve o Cena! Que ele exista por muitos e muitos anos.

Para saber mais sobre o Festival acesse o site:http://www.cenacontemporanea.com.br
Para saber mais sobre o Dj Tudo acesse o site:http://www.myspace.com/djtudo

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Macumba Antropófaga Urbana de SamPã

Tive a oportunidade de assistir a estréia da Macumba Antropófaga de Zé Celso Martinez Correa no seu Teatro Oficina no bairro do Bixiga em São Paulo na semana passada.
O teatro já conhecia, pois fui a uma festa no ano passado lá. Mas ainda não tinha visto a trupe de artistas atuando no Teatro. Foi impressionante. Uma superprodução. A encenação se inicia pelas ruas do Bixiga com duas paradas: uma na frente do antigo Teatro TBC e outra na rua da última residência de Oswald de Andrade. O cortejo pelo bairro termina no terreno que será incorporado ao Teatro Oficina Uzina Uzona e que integra o projeto da Universidade Antropófaga.
Uma ópera brasileira. Assim defino a Macumba Antropófaga de Zé Celso. A música, a movimentação cênica e os solos têm ritmo operístico. Sem dúvida ao ver o trabalho do Teatro Oficina estamos diante de um rico exemplar da cultura brasileira que se mostra cada vez mais vivo. O Teatro Oficina completou 51 anos no ano de 2009 em plena atividade artística e social.
Assisti em vídeo a primeira Macumba Antropófaga que aconteceu na Avenida Paulista em 2005. Estive presente na segunda Macumba que aconteceu em Inhotim-MG em 2010 e agora em São Paulo fica evidente como o Teatro Oficina vive um dos momentos mais importantes de sua história e como é imprescindível cultivarmos a memória do teatro que tem tamanha importância para a memória do nosso povo e das nossas conquistas.
Salve Zé Celso Martinez Correia e seu Teat(r)o Oficina Uzina Uzona.

Para saber muito mais acesso o site: http://teatroficina.uol.com.br

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Just a Gigolo


O show se chamava Just a Gigolo, título de uma canção pop que deu nome a um show, um dos melhores momentos da diva Cássia Eller.Em cena fazendo duo com Marcelo Saback era sim a nossa diva. O espetáculo teve sua estréia na Sala Funarte em Brasília em meados dos anos oitenta. Com repertório sofisticado que ia de “Ne Me Quitte Pas” a Surabaya Johnny, de B. Brecht / Kurt Weill, acontecia o show cabaré ambientado nos anos 20. Assinava a direção Alexandre Ribondi que fazia participações ao longo do recital como garçom. Acompanhavam, Marcelo e Cássia, músicos dentre eles o saudoso saxofonista Radovi e o hoje reconhecido baixista Jorge Helder.O figurino tinha seu destaque, vestida de longo de paetês, Cassia estava verdadeiramente impagável completando a irreverência e o bom humor dos tipos criados especialmente para a apresentação. Sem dúvida falo de um de maravilhoso momento da músida e do teatro da nossa Capital. Tudo brilhava: o vestido, o show, as cançôes, aliadas à competênica e oo talento de grandes artistas brasilienses. Passei todo esse tempo lembrando desse show. Assisti ha umas dez apresentações. Quando meu amigo cantor Rubi me falou que havia visto imagens antigas da Cassia, fui procurar e achei esse filme. Vejam e deleitem-se.

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Pura Fulerage do Grupo Corpos Informáticos

Meu ano chinês do gato está marcado para sempre pelo surpreendente encontro com a galera do Grupo “Corpos Informáticos”. A razão reside nos primeiros contatos com a arte da fulerage, termo cunhado pelas mentes criativas de artistas plásticos e cênicos liderados pela Profª Drª Bia Medeiros do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.
Com uma produção intensa, cujos trabalhos estão presentes em muitas das principais exposições de arte e tecnologia, artes plásticas e performance do País, o Corpos vem se firmando há duas décadas como uma referência no conceito de arte e tecnologia. O registro audiovisual; a manipulação de imagens e a utilização de novas tecnologias de informação e comunicação tais como as redes sociais e a pesquisa sobre técnicas de tele-presença são atividades corriqueiras nos projetos do Grupo.
Composto por uma dezena de artistas, o Corpos Informáticos utiliza espaços públicos e de exposição para mostrar suas criações que utilizam uma variedade incrível de recursos e linguagens para mostrar sua arte. A performance, no entanto, é a forma de expressão artística mais utilizada e que guarda a predileção de seus integrantes. Salta aos olhos o dinamismo do processo de criação do grupo que acontece delineado num percurso curioso. A pesquisa de materiais e a pintura estão presentes nos últimos trabalhos: as enceradeiras vermelhas e as kombis enterradas. Tive a feliz oportunidade de participar das performances com as enceradeiras no Pelourinho na cidade de Salvador na Bahia, no MAM no Rio de Janeiro, na Galeria da UFG em Goiânia e na cidade histórica de Pirinópolis no entorno de Brasília.
A obra das enceradeiras tem um viés de deboche. Identifico a existência de uma charmosa atitude de rebeldia nas propostas de intervenção arquitetônica e nas performances do grupo Corpos. Deboche pela utilização de objetos de consumo hoje obsoletos. Deboche pelo processo de esquecimento daquilo que foi e que não é mais. Deboche pela caretice dos dias de hoje de eterno blasé.
Os trabalhos me trazem muitas recordações que surgem com o contato e com a vivência pela apropriação de restos da indústria que por si só já levantam lembranças e questionamentos. No caso das enceradeiras ficou claro para mim que o objeto resgatado está presente ainda no imaginário coletivo de muitas pessoas. Pintadas de vermelho sangue arterial foi utilizado de modo debochado como um objeto de desejo. As enceradeiras proporcionam muita provocação pelo texto, falas tais como: ”encerador, encerra a dor” curando a dor no encontro e no contato como o público que algumas vezes acontece de modo provocativo e sensual fazendo rir e suspendendo a noção do tempo. Deboche em tempo de performance.
A forma da enceradeira se mostra um objeto belo de uma estética moderna que pode ser explorado das mais variadas maneiras. As imagens produzidas são de rara beleza. Alimento para os olhos e para a alma. A arte propiciando novas experiências sensoriais e temporais.

Para maiores informações acesso o site: http://corpos.blogspot.com/

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