Pura Fulerage do Grupo Corpos Informáticos

Meu ano chinês do gato está marcado para sempre pelo surpreendente encontro com a galera do Grupo “Corpos Informáticos”. A razão reside nos primeiros contatos com a arte da fulerage, termo cunhado pelas mentes criativas de artistas plásticos e cênicos liderados pela Profª Drª Bia Medeiros do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.
Com uma produção intensa, cujos trabalhos estão presentes em muitas das principais exposições de arte e tecnologia, artes plásticas e performance do País, o Corpos vem se firmando há duas décadas como uma referência no conceito de arte e tecnologia. O registro audiovisual; a manipulação de imagens e a utilização de novas tecnologias de informação e comunicação tais como as redes sociais e a pesquisa sobre técnicas de tele-presença são atividades corriqueiras nos projetos do Grupo.
Composto por uma dezena de artistas, o Corpos Informáticos utiliza espaços públicos e de exposição para mostrar suas criações que utilizam uma variedade incrível de recursos e linguagens para mostrar sua arte. A performance, no entanto, é a forma de expressão artística mais utilizada e que guarda a predileção de seus integrantes. Salta aos olhos o dinamismo do processo de criação do grupo que acontece delineado num percurso curioso. A pesquisa de materiais e a pintura estão presentes nos últimos trabalhos: as enceradeiras vermelhas e as kombis enterradas. Tive a feliz oportunidade de participar das performances com as enceradeiras no Pelourinho na cidade de Salvador na Bahia, no MAM no Rio de Janeiro, na Galeria da UFG em Goiânia e na cidade histórica de Pirinópolis no entorno de Brasília.
A obra das enceradeiras tem um viés de deboche. Identifico a existência de uma charmosa atitude de rebeldia nas propostas de intervenção arquitetônica e nas performances do grupo Corpos. Deboche pela utilização de objetos de consumo hoje obsoletos. Deboche pelo processo de esquecimento daquilo que foi e que não é mais. Deboche pela caretice dos dias de hoje de eterno blasé.
Os trabalhos me trazem muitas recordações que surgem com o contato e com a vivência pela apropriação de restos da indústria que por si só já levantam lembranças e questionamentos. No caso das enceradeiras ficou claro para mim que o objeto resgatado está presente ainda no imaginário coletivo de muitas pessoas. Pintadas de vermelho sangue arterial foi utilizado de modo debochado como um objeto de desejo. As enceradeiras proporcionam muita provocação pelo texto, falas tais como: ”encerador, encerra a dor” curando a dor no encontro e no contato como o público que algumas vezes acontece de modo provocativo e sensual fazendo rir e suspendendo a noção do tempo. Deboche em tempo de performance.
A forma da enceradeira se mostra um objeto belo de uma estética moderna que pode ser explorado das mais variadas maneiras. As imagens produzidas são de rara beleza. Alimento para os olhos e para a alma. A arte propiciando novas experiências sensoriais e temporais.

Para maiores informações acesso o site: http://corpos.blogspot.com/

Esta entrada foi publicada em Artes Cênicas e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s