A Coragem da Alma Imoral

Mais uma vez, e agora com muito mais ênfase, sou tomado por profundas reflexões sobre nosso livre arbítrio, sobre nossa conduta diante da vida, em razão das provocações que nos são lançadas pela maravilhosa interpretação de Clarice Niskier na peça “A Alma Imoral”, texto de Nilton Bonder  que voltou a ser encenada aqui em São Paulo no Teatro Augusta.

Para se ter uma idéia do nível de questionamento que somos levados a pensar e refletir, no espetáculo a alma nos é apresentada como imoral e o corpo como moral invertendo toda a nossa estrutura de princípios. A partir de parábolas judaicas, o texto nos revela que é a alma que rompe e transgride a tradição e não o contrário, o corpo.

Comparando o conceito de “tradição” com o conceito de “traição”, o texto de Nilton Bonder argumenta que nem sempre o correto da tradição é o bom do momento. Segundo ele, a maior traição que o homem pode cometer é contra si mesmo.

O homem que se mantém acomodado é um traidor.

O homem que não rompe com o certo do passado em troca do bom do presente é um traidor.

Máximas como estas nos são ditas com uma clareza tamanha que precisamos de um esforço considerável, para não sermos tocados pela força transformadora que possuem.

Arrisquei ver este espetáculo com quem amo. Arrisquei pela precariedade com que me sinto nesta história, acostumado que estava com a segurança insegura do casamento. Mas a minha necessidade de transmitir o que acredito adicionada a minha sinceridade de sentimentos me impediu de não mostrar o que para mim é muito, muito revelador. Estou arriscando me entregar, mesmo sem saber onde vou parar. Será que o que estou vivendo tem futuro promissor? Não sei. Será que tudo que estamos vivendo é o início de um karma? Tampouco sei sobre isso também. Só sei que estou tendo a coragem de sentir e a paciência de esperar.

Esperar pelo tempo do outro.

Esperar por cada nova descoberta.

Esperar pelo gozo que vem aos poucos.

Esperar pelas conseqüências da extrema identificação que sentimos um pelo outro.

Persevero acreditando no amor. Sou romântico e como muito bem disse Vander Lee, “românticos choram com baladas e pensam que o outro é o paraíso”.

Sigo assim acreditando na verdade dos sentimentos e na beleza do encontro.

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2 Responses to A Coragem da Alma Imoral

  1. Arthur disse:

    Adorei o post. Demorei pra ler, mas agora dei uma atualizada no blog.
    Beijo

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