Eles chegaram cedo à quadra de futebol de salão da superquadra 416 norte em Brasília no domingo dia 25 de julho de 2010. Ágeis varreram o chão e penduraram os estandartes que davam os primeiros indícios de que algo de diferente aconteceria ali. Os primeiros objetos que ocuparam o espaço davam a dica de que algo circense seria. Mais tarde uma toalha de lona sintética foi estendida e uma amiga/mãe/esposa/produtora trouxe a comida que foi frugalmente saboreada. Na tarde domingueira enquanto sofria com minha família fragmentada, ouvia o aquecimento daquela trupe. Primeiro as vozes seguidas dos corpos e das mãos nos instrumentos musicais. De repente os figurinos foram vestidos e a performance começava, não na quadra esportiva, mas em toda a vizinhança. Era uma introdução, um convite de cinco jovens atores em frente aos blocos de três andares. Iniciava-se o primeiro ato do espetáculo que se constituía na romaria da anunciação do teatro de rua que aconteceria daí à uma hora ali, bem ali, no jardim da casa dos moradores das 415 e 416 norte.
No fim do dia o espetáculo toma lugar onde tudo começou e com um público conquistado ali mesmo naquele fim de tarde de inverno. Peça com poucos atos, mas com muito talento de quem aprendeu com o pai, o saudoso Ary Pára-Raios.
Eu, pai de coração sofrido, assisti da janela do meu apartamento aqueles lindos artistas afirmarem a arte herdada do pai, com um orgulho de causar inveja. A foto do Ary, em tamanho natural é discretamente exposta em cada apresentação desse esquadrão da vida que completa 30 anos. Lindo, virtuoso e emocionante. Salve o legado de Ary Para-Ráios!
NOSSA… Adorei!!!