A saudade mata a gente Morena Rosa

Viajando para o Rio Quente com meus filhos ouvindo Rosa Passos senti uma imensa saudade dessa querida amiga. Conheci Rosinha nos anos 80 nos shows na Funarte, se não me engano num show da Nana Caymmi no qual Rosa Passos fazia participação especial em que cantava “Formicida, Corda e Flor”. Na época, descobri que Rosinha fazia cabelo no salão de beleza da minha mãe ai ficamos amigos desde então. Lembro-me que Rosa Passos cantava no Scotch Bar Amigos que ficava na 105 Norte, em Brasília. Eu tinha 19 anos e já adorava Musica Popular Brasileira. O bar Amigos era um lugar cuja freqüência era predominantemente de senhores e casais de meia idade, mesmo adolescente me sentia bem lá ouvindo aquela voz maravilhosa que sempre cantava Bossa Nova e canções do Djavan. Levava ao Amigos todas as pessoas que conhecia para ouvir  Rosinha. Na época descobri que ela era super bem relacionada com grandes nomes da MPB, pois apareciam no Amigos para encontrá-la e invariavelmente davam canja nomes como: Emílio Santiago, Nana Caymmi, Jane Duboc, João Bosco, entre outros. Adorava conversar com Rosinha e acompanhei toda a ansiedade da artista para o lançamento do primeiro CD que saiu depois de muito tempo pela gravadora Velas do amigo Ivan Lins. Lembro de Rosinha reclamar muito que a Bossa Nova não tinha espaço naqueles anos 80 e refletindo hoje concordo pois realmente não tinha mesmo naqueles tempos em que todos ouviam rock´n roll a Bossa Nova de fato não estava na cena. Nesses momentos me lembro de dizer a ela que tivesse calma que a Bossa Nova sendo muito sofisticada e exemplar da cultura brasileira seria inevitável que o trabalho dela fosse reconhecido; que era apenas uma questão de tempo; que ela tivesse paciência, e todas  essa coisas que a gente fala quando gosta muito do trabalho do artista. Entretanto ela sempre me olhava com olhar cético. E com essa postura perseverou batalhando muito para chegar a ter o reconhecimento internacional que tem hoje. Adquiri meu aparelho cd player na virada dos anos 80 para os 90 para ouvir o CD da Rosinha que comprei antes de ter como ouvir. Depois disso lembro-me de conversar com ela num show de Maria Rita e de ter acompanhado-a numa caminhada(cooper) em volta de sua quadra na 308 norte ocasião em que colocamos o papo em dia e soube do seu enorme sucesso na Espanha e de sua tristeza pela falta de reconhecimento dos produtores brasileiros e principalmente dos produtores brasilienses mal informados em se sem visão. Felizmente, nosso amigo Rubens do Gate´s Pub produziu há 3 anos atrás um Festival de Jazz em Pirenópolis – GO no qual tivemos a oportunidade de ouvir na abertura Rosa Passos em uma única apresentação que nos atualizou do que anda fazendo em shows e festivais de Jazz nos Estados Unidos e na Europa.

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4 Responses to A saudade mata a gente Morena Rosa

  1. Querido Adauto,
    Muito chic seu trabalho, adore!
    Queria me avisasse de coisa como essa do cerrado, por exemplo.
    Beijo, Humberto

  2. Paulo disse:

    Adauto, querido,
    Eu gostei muito do seu trabalho aqui neste blog. Parabéns. De muito bom gosto e com textos deliciosos. Falando do que interessa, você deixa impressões marcantes sobre grupos, pessoas e espetáculos nem sempre óbvios. Vitória. Parabéns de novo!
    Beijo,
    Paulo

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